Diretor do documentário “Uma vez Flamenco…” fala um pouco sobre o projeto, com finalização prevista para 2016.

Motivado pelo reconhecimento da universalidade do Flamenco, para além de sua origem espanhola/adaluza, e por viver tão próximo a esta cena flamenca aqui no Brasil, o produtor e diretor da Bárbaras Produções, Adolfo Lachtermacher, resolveu desenvolver o documentário “Uma vez Flamenco…”, com participação de artistas brasileiros e espanhóis. O projeto teve início em 2014 e partiu do desejo de compartilhar essa arte com tantas pessoas que ainda não a conhecem.

Como marido da bailarina carioca Tatiana Bittencourt (sócia do Arte Flamenca Estúdio de Dança), Adolfo tem se aproximado do universo flamenco há alguns anos. Em 2013, os dois fizeram uma viagem à Espanha, onde ele teve a oportunidade de conhecer a escola “Amor de Diós” em Madri, que Tatiana já frequentava há alguns anos para aulas e reciclagem. Também conheceu Sevilha e Granada, cidades importantes para a compreensão da história da arte flamenca.

Farruquito saindo da escola em Sevilha   baixa
Equipe do documentário com o bailaor Farruquito, em Sevilha.

Nesta viagem em 2013, o diretor teve contato tanto com a história e os mitos de formação do flamenco, como com sua universalidade –  representado pelas múltiplas origens das bailarinas e bailarinos que viu fazendo aulas na “Amor de Diós”. Ao mesmo tempo, leu um pouco sobre a história do flamenco, cujo reconhecimento como patrimônio da humanidade, pela UNESCO,  ocorreu recentemente, em 2010.

Adolfo resolveu, então, fazer um documentário que mostrasse o dom que o Flamenco tem de capturar aqueles que se dedicam a esta arte não só em locais distantes da Espanha, mas também que vivem em culturas tão diferentes da espanhola.

Equipe em Granada baixa
Equipe do documentário em Granada.

Além disso, ele sentia que os filmes sobre o Flamenco que ficavam na lembrança de todos com quem conversava ainda eram as obras de Carlos Saura (cineasta espanhol que dirigiu, entre outros, “Carmem”, “Amor Bruxo”, “Bodas de Sangue”, “Salomé” e “Flamenco”) e poucos outros, quase sempre vistos em cópias precárias no youtube. “Fazer um trabalho com qualidade de imagem e som também à altura do que se experimenta em tablados e teatros que tenho frequentado nos últimos anos também foi uma motivação para começar o projeto”, explica Adolfo.

Sobre a recepção do projeto entre bailarinos espanhóis e brasileiros, Adolfo afirma que foi a melhor possível. “Na Espanha conseguimos vários contatos, gravações em tablados, os artistas cantavam até versões de músicas brasileiras em ritmo flamenco quando sabiam que íamos gravar. Mesmo que a questão central do documentário possa suscitar polêmicas, isto é: o flamenco é uma arte essencialmente espanhola, ou andaluz, ou pode se mesclar a outras formas culturais, como acontece em grande parte nas escolas que conhecemos no Brasil; isso não impediu que os que defendem uma arte pura dessem depoimentos importantes e inspirados”, reforça o diretor.

Escola Manolete, em Granada.
Escola de Manolete, em Granada.

No Brasil, pela recepção ao teaser que publicaram na internet, percebe-se que há muita gente interessada, e não só entre aqueles que estão diretamente envolvidos com o Flamenco. “Há muitos que adoram os bailes e a música e desconhecem a história dessa arte – que o documentário também aborda- e outros que sequer sabem que há uma forte cena flamenca por aqui”, complementa.

A previsão dos produtores é de que o documentário seja finalizado no primeiro semestre de 2016. Adolfo relata que há algumas pendências a serem definidas, já que não há verba para toda a parte de gravação e para a finalização. Com relação às dificuldades, a maior é a verba. Existe uma forte possibilidade de um documentário como este ser exibido em TV por assinatura, no entanto o que os canais pagam não cobrem quase nada dos custos. “Nós começamos com uma verba através da Lei do ISS do Rio de Janeiro e temos ainda oportunidade de captar através desse mecanismo e da Lei Rouanet (nos dois casos as empresas transferem parte do pagamento dos impostos para os projetos, sem custo nenhum para elas)”. Mas ao final, se não houver mais verba, a equipe irá recorrer ao crowdfunding (financiamento coletivo), “no qual as pessoas entram com um pequeno apoio e recebem prêmios como o próprio DVD ou aulas de Flamenco por um período, ou outra forma ainda a pensar”.

Luiz (câmera) e Tatiana (bailarina) na Escola Manolete, em Granada.
Luiz (câmera) e Tatiana (bailarina) na Escola de Manolete, em Granada.

De qualquer forma, a produção pretende finalizar o documentário no ano que vem para não atrapalhar projetos futuros. Já possuem bastante material, mas ainda é preciso uma etapa de gravações, prevista para ocorrer entre setembro e outubro, e a finalização do filme.

Sobre o diretor

Adolfo Lachtermacher foi Produtor e co-diretor de filmes realizados com Silvio Tendler e João Moreira Salles nos anos 1990. Foi diretor do Programa Campus, primeiro programa universitário da televisão aberta brasileira em meados dos anos 2000.Também foi professor de Literatura e Cultura Brasileira na UERJ e CCE-PUC-Rio, e de Estruturas Dramáticas da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, entre 2002 e 2009. Atualmente, além de produtor/diretor através da Bárbaras Produções atua como produtor cultural no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Entre os trabalhos que já realizou, destacam-se:

O Ciclo do Caranguejo – filme-crônica adaptado de texto homônimo do humanista Josué de Castro. Recebeu os Prêmios de Melhor Documentário no Festival do Ceará, Prêmio Especial do Júri em São Luiz, 2ª lugar entre os documentários em Recife, em 2000.

Premiado por dois anos seguidos no Gramado CineVideo com reportagens dirigidas para a TVUerj: “Braguinha, 100 anos” e “Rompendo Barreiras”, em 2007 e 2008.

A Musa da Minha Rua, direção do curta-metragem digital, produzido a partir de Edital Riofilme. O filme foi exibido nos Festivais do Rio de Janeiro, Gramado, Tiradentes, Bahia, Sergipe, João Pessoa e outros. Em Gramado, recebeu o Prêmio de curta-metragem do Globo onLine, em 2010.

 

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