Entrevista Isaac de los Reyes

Filho dos renomados “bailaores” e coreógrafos Ramon de Los Reyes e Clara Ramona, Isaac de los Reyes começou a dançar ainda pequeno, tendo seu primeiro trabalho profissional aos treze anos, como solista do teatro de da Dança Espanhola Luisillo. Durante sua carreira, trabalhou nos principais tablados de Madrid e Barcelona, entre eles Casa Patas, Las Carboneras, El Cordobes, Cafe de Chinitas, Corral de La Moreria. Também trabalhou em espetáculo na Opera de Viena com grandes artistas como Belén Maya, Javier Baron, El Pipa. Foi bailarino solista das companhias de Manolete, El Guito, El Grilo, Rafael Aguilar, Carmen Cortes, Gerardo Nuñez e Antonio Canales.

Isaac de los Reyes também esteve no Rio de Janeiro no projeto “Flamenco+Flamenco” (realizado pelo Alma Flamenca e pelo Sol y Luna Danças) ministrando um workshop e se apresentando no Instituto Cervantes e no Teatro Maison de France. Confira , abaixo, a entrevista de Isaac ao Flamenco no Rio (Por Lorenna Eunapio. Colaboração: Maria Thereza Canário).

FRJ: É a segunda vez que você vem ao Brasil e primeira no Rio de Janeiro. O que você achou dos bailarinos daqui?

Essa é a primeira vez que venho ao Rio de Janeiro. Os bailarinos daqui me parecem geniais, com muita vontade de aprender a dançar Flamenco e isso é muito bonito.

FRJ: Quem são os artistas que você tomou ou ainda toma como referência?

Há muitos grandes artistas. Quase todos, mas Carmem Amaya foi uma pessoa que me marcou muito. Antonio Canales e, também, Camarón foi uma das maiores referencias para mim como cantaor. Enrique Morente também.

FRJ: Você veio de uma família de bailaores. E em que momento você também resolveu seguir o flamenco profissionalmente?

Eu decidi um pouco tarde porque meu pai dança Flamenco, a minha mãe, meus tios. Tenho tios que são guitarristas. Mas me obrigavam a dançar. Antes eu não queria. E isso, desde bebê, me obrigando. Mas a partir dos 11, 12 anos, já comecei a ter interesse e, hoje, agradeço ao meu pai por ter me obrigado. Aos 14 já estava trabalhando profissionalmente em muitas Companhias con Guito,

Isaac de los Reyes (Foto: Marcelo Cortez)

Manolete.

FRJ: Você está trabalhando em algum projeto na Espanha? Pode falar um pouco sobre eles?

Agora mesmo, estou preparando meu próprio espetáculo que se chama “De los Reyes Flamenco”, junto ao meu irmão (Nino de los Reyes), e temos projetos, temos algumas atuações na França e estamos trabalhando.

FRJ: O que você acha mais importante no Flamenco? A técnica, a emoção…

No Flamenco o sentimento é muito importante mas, no baile especialmente, se não há técnica, não se pode praticar. O sentimento e a técnica caminham juntos.

FRJ: O que você acha que ainda falta no Flamenco no Rio? Que recado você daria aos bailarinos daqui?

Eu acho que é a frequência. Não posso opinar muito porque estive muito pouco aqui, mais acho que a frequência de viver isso. É o que falta em todos os países fora da Espanha. Falta poder viver isso. Mas daqui a pouco vocês já terão isso. Tem que trabalhar mais.

FRJ: O que é o Flamenco para você?

O Flamenco para mim é uma forma de viver na qual eu vivo. Não sei como poderia explicar melhor, mas é o meu dia a dia. Escuto Flamenco todos os dias, estou próximo todos os dias, meu irmão é bailaor e vive comigo. E se não é um é outro. Todos os dias me levanto escutando palmas, sapateados e todas as noites durmo da mesma forma: escutando sapateados, palmas, cantes…

Confira, abaixo, depoimentos dos maestros cariocas sobre Issac:

“Fiz as aulas de Técnica do Isaac de Los Reyes e fiquei feliz por ver muita gente de diversos níveis compartilhando de um único trabalho. Técnica será sempre igual mesmo sendo base pois é do estudo dela que possibilita a compreensão e o estudo das coreografias. Isaac demonstrou ser um grande professor com grande paciência e mostrou que precisamos também desenvolver mais a audição, pois como ele mesmo diz ‘aprendi a bailar de ouvido e não contando'”. (Ricardo Samel – bailaor e maestro)

“Tendo acumulado diversas funções no processo de produção do evento Flamenco + Flamenco, foi como expectadora que tive a maior recompensa possível.

Por mais que eu estivesse por trás da organização, tocando palmas para os artistas convidados, meu primeiro choque foi no dia seguinte à chegada dos “meninos”. Começamos a ensaiar e aquela voz enche a sala nos deixando de boca aberta. Juañares, um super cantaor que acompanha as estrelas maiores dessa arte, como Eva Yerbabuena, Manuela Carrasco, Gades, Canales entre outras tão grandes como estas, ali, do nosso lado, e a gente de boca aberta.

Aí vem Pol, com sua técnica impecável e a mesma alegria de dançar como da primeira vez que veio, superando a dor que sentia no joelho que dentro de uma semana seria operado (a operação foi no dia 11 de maio). E de repente, para complementar esta profusão de emoções que sentia, entra Isaac para ensaiar. Difícil trazer para palavras o que eu senti quando Juañares começou a cantar e Isaac, como se tivesse levado um soco no estômago se contraiu levando as mãos a altura do rosto e fechando seus olhos deixando que a emoção fluísse através dele para explodir em remates incríveis.

Se desfrutar de cada função era meu objetivo, se eu já sou uma apaixonada pelo flamenco e demonstro meu sentimento acreditando que o que eu expresso é forte, foi vendo aquela cena que eu me dei conta do quanto o flamenco faz emocionar e emociona. Inspirada e em êxtase – é como me senti neste dia e como me sinto agora” (Tiza Harbas – cantaora, bailaora, maestra e produtora do Alma Flamenca)


 

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