Entrevista Juañares

Juañares nasceu em Jerez de la Frontera e ganhou seu primeiro prêmio aos 14 anos, vencendo o concurso de Bulerías de Jerez. Passou então a atuar profissionalmente nas mais famosas Peñas e Tablados como a Peña La Plateria, entre outras. Hoje, vivendo em Madrid, é um dos “cantaores” mais requisitados por artistas como Antonio Canales, Joaquin Cortés, Eva Yerbabuena, Manolete e Manuela Carrasco, com os quais excurciona pelo mundo.

Lançou seu primeiro CD, “Juañares” em 2003 pelo selo Pep’s Record, espanhol, e participou da gravação de coletâneas como “Chanson Flamenca” e “Flamenco del 2 mil”.

Juañares esteve no Rio de Janeiro para o projeto “Flamenco+Flamenco” (do Alma Flamenca e Sol y Luna Danças), cantando nas aulas e nos shows do Instituto Cervantes e Teatro Maison de France. Confira a entrevista de Juañares para o Flamenco no Rio (Por Lorenna Eunapio. Colaboração: Kelly Dominguez)

FRJ: Quantas vezes você já esteve no Brasil? O que você achou do Flamenco daqui?

Já estive no Brasil muitas vezes. Vim com Joaquín Cortéz. Com ele, eu vim pelo menos quatro vezes, fazendo tour por São Paulo, Curitiba, e muitas cidades. Ficamos aqui quase dois meses, andamos pelo Brasil inteiro. A primeira vez que eu vim faz, pelo menos, 10 anos. Também vim com a Companhia de Antonio Canales.

Para acompanhar aulas como dessa vez, é a primeira vez. Eu sempre vinha quando nos contratávamos.

Eu acho que sempre vão melhorar o baile e o cante. O que acontece é que as pessoas que podem, vão à Espanha como, por exemplo, Fernando de la Rúa, que está na Espanha. O mais importante é que a pessoa esteja pronta para pegar tudo isso e, pouco a pouco, vão avançando e avançando. Tem que estudar, praticar muito, muita técnica e não desistir nunca. E que você goste, claro. Uma pessoa que não tem ritmo, não tem nada.

FRJ: Já escutou alguma coisa de música brasileira? O que você achou?

Tenho toda a discografia de Djavan, João Bosco. Eu gosto muito da música brasileira.

FRJ: Como você começou a cantar?

Na verdade, eu comecei tocando guitarra flamenca desde menino. Há 22 anos comecei a cantar, em Madri.

FRJ: Você já lançou um CD em 2003. Está preparando algum outro projeto para os próximos anos?

Lancei “Juañares” em 2003 e, assim que voltar a Madri, entro no estúdio para gravar o próximo projeto.

FRJ: O que mais marcou a sua trajetória no Flamenco?

Muita gente me marcou no Flamenco: minha família, Camarón… Muita gente, mas os mais antigos.

Juañares (Foto: Marcelo Cortez)

FRJ: O que você acha mais importante para um cantaor de flamenco? A técnica ou a emoção?

Se falar de técnica, o mais importante é o ritmo. E, depois, o coração. Porque você pode ter muita técnica, muito ritmo, mas se faz a coisa como um robô, não diz nada. Posso cantar por malagueña, por granaína, por bulerías… mas se canto como um robô, não chega às pessoas. O coração é o mais importante.

Veja, abaixo, alguns depoimentos de artistas brasileiros:

“É um monstro como se diz no flamenco! Um dos melhores cantaores da atualidade.

Foi uma honra dividir o palco com ele.” (Allan Harbas – guitarrista e produtor do Alma Flamenca)

“O que mais emociona e encanta é poder compartilhar momentos incríveis com as pessoas que são meus ídolos. E é mais incrível quando percebemos a sensibilidade de um artista, não só em seu ofício, mas como também uma pessoa disponível, amável e generosa. Participar destes eventos é a maior gratificação que nosso trabalho e a nossa paixão pelo flamenco podem ter, Estar ao lado de Juañares foi intenso e brilhante. Com certeza ficamos mais bonitos com ele”. (Ana Bayer – cantaora)

“Que arte! Escorreram lágrimas com a intensidade de sua interpretação cheia de emoção e profundidade. De verdade que foi impressionante!” (Maria Thereza Canário – bailaora e maestra)

“Tendo acumulado diversas funções no processo de produção do evento Flamenco + Flamenco, foi como expectadora que tive a maior recompensa possível.

Por mais que eu estivesse por trás da organização, tocando palmas para os artistas convidados, meu primeiro choque foi no dia seguinte à chegada dos “meninos”. Começamos a ensaiar e aquela voz enche a sala nos deixando de boca aberta. Juañares, um super cantaor que acompanha as estrelas maiores dessa arte, como Eva Yerbabuena, Manuela Carrasco, Gades, Canales entre outras tão grandes como estas, ali, do nosso lado, e a gente de boca aberta.

Aí vem Pol, com sua técnica impecável e a mesma alegria de dançar como da primeira vez que veio, superando a dor que sentia no joelho que dentro de uma semana seria operado (a operação foi no dia 11 de maio). E de repente, para complementar esta profusão de emoções que sentia, entra Isaac para ensaiar. Difícil trazer para palavras o que eu senti quando Juañares começou a cantar e Isaac, como se tivesse levado um soco no estômago se contraiu levando as mãos a altura do rosto e fechando seus olhos deixando que a emoção fluísse através dele para explodir em remates incríveis.

Se desfrutar de cada função era meu objetivo, se eu já sou uma apaixonada pelo flamenco e demonstro meu sentimento acreditando que o que eu expresso é forte, foi vendo aquela cena que eu me dei conta do quanto o flamenco faz emocionar e emociona. Inspirada e em êxtase – é como me senti neste dia e como me sinto agora” (Tiza Harbas – cantaora, bailaora, maestra e produtora do Alma Flamenca)

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