Entrevista Pol Vaquero

Pol Vaquero nasceu em Córdoba em 1980 e iniciou seus estudos em ballet clássico, contemporâneo e dança flamenca no Conservatório da cidade aos 10 anos. Em 1992 vai para Madrid para fazer parte do Ballet Nacional da Espanha e da Cia Flamenca de Antonio Canales. A partir daí, passa por companhias como Cia Vicente Amigo, Cia de Juaquin Grilo, Companhia “De Amore” etc. Em 2007, assume carreira solo.

Pol Vaquero esteve, mais uma vez, no Brasil em Maio, no projeto “Flamenco+Flamenco” (realizado pelo Alma Flamenca e Sol y Luna Danças), dando workshops e fazendo um show com bailarinos brasileiros. Confira, abaixo, a entrevista que o Flamenco no Rio preparou. (Por Lorenna Eunapio. Colaboração: Kelly Dominguez)

FRJ: É terceira vez que você vem ao Rio de Janeiro. Como é a sua relação com os artistas daqui?

Ao Rio é a terceira vez, mas ao Brasil, já vim mais de 12 vezes. Já estive em São Paulo, Manaus, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Londrina, Belo Horizonte… A primeira vez que vim foi com Antonio Canales. E a primeira vez que vim para dar aulas foi no Rio de Janeiro. Conheci  Tiza Harbas pela internet. Em São Paulo foi com Karina Maganha porque Karina é muito amiga da Allan (Harbas) e Tiza, então ela propôs a Allan que eu fosse a Campinas. Sempre que venho ao Brasil fazemos shows com bailarinos espanhóis e brasileiros.

FRJ: Ao longo desses anos, você percebeu alguma evolução nos bailarinos daqui?

Os bailarinos daqui avançaram muito. Inclusive, hoje o Brasil é o país onde mais trabalho. Mais até que o Japão. Este ano, por exemplo, estão aqui no Brasil: La Talegona, Paniagua, Manuel Reyes, Manuel Linán, eu, Isaac. Todo mundo está vindo para cá. La Farruca estava aqui faz pouco tempo. Há muito trabalho por aqui.

FRJ: O que mais marcou sua vida no flamenco?

O que me marcou no Flamenco foi conhecer Antonio Canales e entrar para a sua Companhia. Eu tinha 15 anos.

Pol Vaquero (Foto: Marcelo Cortez)

FRJ: Você está trabalhando em algum projeto na Espanha?

No momento não. Não estou com a minha Companhia. Estou trabalhando no que me chamam. Agora há pouco, montei um espetáculo para um tablado conhecido em Barcelona, El Cordobés. E trabalho no que for aparecendo: Brasil, Madri, Barcelona. Não há muito trabalho. Há muita crise na Espanha.

FRJ: O que você acha mais importante no Flamenco? A técnica, a emoção…

O mais importante é o ritmo. Se você não tem ritmo, não pode dançar. E, de acordo com cada pessoa: tem gente que é muito tímida, tem gente que é mais alegre, mais extrovertida. Cada palo do Flamenco pode explicar um tipo de sentimento, de sensação para fazer este trabalho.

FRJ: O que você acha que ainda falta no Flamenco no Rio? Que recado você daria aos bailarinos daqui?

No Brasil falta técnica, falta trabalho, muito trabalho porque aqui vocês não têm a sorte de ter sempre os maestros. Porque nem todo mundo toma o Flamenco como um trabalho, mas sim como um hobby. E esse é o problema, que não avançam. Para bailar o Flamenco, tem que trabalhar muito. Não é como uma dança de salão, que se aprende mais fácil. Tem que estudar o Flamenco todos os dias, porque senão, não é possível. É uma dança muito difícil, inclusive para os espanhóis. A mim, me custou muito dançar.

Não existe muito isso de “ter no sangue” . O Flamenco é um sentimento. Se você tem sentimento, então pode bailar o Flamenco. Mas tem que trabalhar, trabalhar e trabalhar muito.

Tem gente que tem ouvido, tem ritmo. E tem gente que não tem ritmo, então não pode dançar Flamenco. Mas também não é só trabalho. Tem que ter algo especial e é possível conseguir.

Confira, abaixo, depoimentos dos maestros brasileiros:

“Meu primeiro diretor internacional de Flamenco. Inesquecível! Que dança espetacularmente! Com muuuuuuuuita energia e riqueza de movimentos, com um soniquete precioso”. (Maria Thereza Canário – bailaora e maestra)

“Tendo acumulado diversas funções no processo de produção do evento Flamenco + Flamenco, foi como expectadora que tive a maior recompensa possível.

Por mais que eu estivesse por trás da organização, tocando palmas para os artistas convidados, meu primeiro choque foi no dia seguinte à chegada dos “meninos”. Começamos a ensaiar e aquela voz enche a sala nos deixando de boca aberta. Juañares, um super cantaor que acompanha as estrelas maiores dessa arte, como Eva Yerbabuena, Manuela Carrasco, Gades, Canales entre outras tão grandes como estas, ali, do nosso lado, e a gente de boca aberta.

Aí vem Pol, com sua técnica impecável e a mesma alegria de dançar como da primeira vez que veio, superando a dor que sentia no joelho que dentro de uma semana seria operado (a operação foi no dia 11 de maio). E de repente, para complementar esta profusão de emoções que sentia, entra Isaac para ensaiar. Difícil trazer para palavras o que eu senti quando Juañares começou a cantar e Isaac, como se tivesse levado um soco no estômago se contraiu levando as mãos a altura do rosto e fechando seus olhos deixando que a emoção fluísse através dele para explodir em remates incríveis.

Se desfrutar de cada função era meu objetivo, se eu já sou uma apaixonada pelo flamenco e demonstro meu sentimento acreditando que o que eu expresso é forte, foi vendo aquela cena que eu me dei conta do quanto o flamenco faz emocionar e emociona. Inspirada e em êxtase – é como me senti neste dia e como me sinto agora” (Tiza Harbas – cantaora, bailaora, maestra e produtora do Alma Flamenca)


 

 

 

 

 

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