Festival Flamenco acontece pela primeira vez no Brasil

(Fonte: Site Dell´Arte)

Desde a sua criação, em 2001, o Festival de Flamenco tornou-se principal vitrine para o Flamenco fora das fronteiras espanholas. Sua missão é difundir a riqueza e variedade da arte flamenca, desde sua abordagem mais tradicional até as propostas mais inovadoras, e assegurar a presença dos artistas na programação dos teatros mais importantes da cena cultural internacional.

Desde o Carnegie Hall em Nova Iorque, a Opera House em Sydney, o Sadler Wells em Londres, o Orchard Hall em Tóquio, o Festival Flamenco teve em sua história de 11 anos mais de um milhão de espectadores ao redor do mundo e é um acontecimento nas cidades em que ele ocorre. Segundo o NY Times “O Festival Flamenco é um dos maiores eventos de dança do ano em Nova York.”

Em 2011, o Brasil entra no rol das sedes do Flamenco Festival, assim como Nova York (2001), Londres (2003), Tóquio (2005), Paris (2006), Bruxelas (2008), Buenos Aires (2009) e Xangai (2010).

O Festival Flamenco no Brasil acontecerá entre os dias 17 e 20 de outubro no Teatro Municipal de São Paulo, de acordo com a programação abaixo:

17/10/11 – Vicente Amigo

Nascido na região de Sevilha, Vicente foi criado em Córdoba, aonde vive atualmente. Seu primeiro grande mestre da guitarra foi Manolo Sanlúcar, com quem trabalhou por dez anos. Após um período de acompanhamento, que começou ao lado de El Pele, ele começou a se dedicar quase que exclusivamente aos concertos em 1988. De Mi Corazón al Aire, de 1991, foi seu primeiro disco. Admirador de Paco de Lucía desde a infância, Amigo participou com ele no show “Leyendas de la guitarra”, em Sevilha, como uma antecipação da exposição Expo 92, que também contou com Paco de Lucía, Bob Dylan, Keith Richards, Steve Vai, Joe Satriani, Nuno Bettencourt, Phil Manzanera, Joe Cocker, Jack Bruce e Richard Thompson. Nessa época, ele já tinha sido agraciado com alguns dos mais prestigiados prêmios de guitarra flamenca.

Vicente Amigo é aberto à experimentação, levando o flamenco a limites sem precedentes, adquirindo um conhecimento profundo sobre outras formas de música, e compartilhando experiências com outros artistas. Ele participou de gravações de Khaled, Miguel Bosé, Carmen Linares, Manolo Sanlúcar, Wagner Tiso, Rosario, Nacho Cano, Alejandro Sanz, Sting, etc, e já dividiu o palco com os maiores artistas contemporâneos, como Paco de Lucía, Stanley Jordan, John McLaughlin, Al Di Meola, Milton Nascimento.

18/10/11 – Israel Galván

O dançarino de flamenco Israel Galván tem a mesma ocupação que seus pais, José Galván e Eugenia de Los Reyes. Aos cinco anos acompanhava seu pai em apresentações e ensaios. Em 1990 começou a dançar profissionalmente e em 1994 entrou para a Compañia Andaluza de Danza de Manuel Soler, com quem colaborou em muitos projetos até 2003.

Nos anos seguintes, ele recebeu os prêmios mais importantes da dança flamenca: Vicente Escudero, no Concurso Nacional de Arte Flamenco de Córdoba de 1995, El Desplante do Festival Internacional del Cante de las Minas de La Unión em 1996 e o 1º Concurso de Jóvenes Interpretes na 9ª Bienal de Flamenco de Sevilla, também em 1996. Em 1998 Galván participou do espetáculo “Abecedario” em homenagem ao escritor argentino Jorge Luis Borges, quando começou uma fértil e duradoura parceria com o artista plástico Pedro G. Romero. No mesmo ano, ele apresentou na 10ª Bienal de Flamenco de Sevilha o trabalho “¡Mira!/Los Zapatos Rojos”, primeiro espetáculo da sua própria companhia, com direção artística de Pedro G. Romero, pelo qual foi chamado pela crítica de “genial” e “uma revolução na concepção do flamenco”. Em 2000, na 11ª Bienal de Flamenco de Sevilha, “La Metamorfosis”, também em parceria com Pedro G. Romero, baseado na obra homônima do escritor Franz Kafka, foi considerado um divisor de águas para a dança flamenca. Em 2001, Galván apresentou com o grupo de jazz Gerardo Nuñez Trio um trabalho surpreendente e inovador que o levou para os principais festivais de jazz. Em 2002 e 2003 “colocou seus pés” nos discos “Pequeno Reloj y Morente” e “Canto y Cante a Picasso”, ambos de Enrique Morente, sendo o último uma edição limitada produzida para a inauguração do Museu Picasso em Málaga, Espanha.

O trabalho de Galván tem muito da tradição do flamenco e introduz elementos conceituais do butô, da dança contemporânea e das artes plásticas, com geometrias e vazios. Pedro G. Romero diz que Galván “virou o canône de cabeça para baixo ao apresentar o seu flamenco conceitual e barroco. Quando confrontado com aqueles que introduzem o moderno e o contemporâneo, o jazz e os idiotismos folclóricos, ele se propõe a reconstruir o flamenco moderno, usando os elementos do próprio flamenco.” Em entrevista ao jornal “The New York Times” em 2004, Galván disse que “por essa liberdade é freqüentemente chamado de dançarino contemporâneo”, mas nada o incomoda mais: “Eu nasci um dançarino flamenco. Essa é a minha linguagem. Eu simplesmente falo com a minha pronúncia.”

19/10/11 – Rafaela Carrasco

Rafaela Carrasco é um dos mais proeminentes representantes da vanguarda da dança flamenca. A bailadora sevilhana é do tipo que não se conforma, do tipo que está constantemente à procura de algo novo. Depois de ter sido um membro da Companhia de Dança Andaluz, da Companhia Mario Maya e completar a sua formação em Madrid como solista, ela criou sua própria companhia.

A produção “La Música del cuerpo” foi a sua carta de apresentação, um show que ganhou todos os prêmios no Concurso Coreográfico de Madrid. Seu desempenho em 2004 no Festival de Jerez fez com que crítica e público se deliciassem, com uma performance que marcou o cenário atual da dança flamenca. Vamos al tiroreo A Companhia Rafaela Carrasco realizou cinco produções desde a sua criação. “Vamos al tiroteo”, a última, estreou na 15ª edição da Bienal de Flamenco de Sevilla, obtendo os prêmios do júri e critica de Melhor Coreografia.

“Vamos al tiroteo” é uma visão moderna sobre o lendário álbum “Canciones Populares Españolas”, de Federico García Lorca e La Argentinita. Uma homenagem a uma gravação essencial que inspirou muitos artistas. “Toda a minha geração cresceu ouvindo essas canções populares. Eles foram cantados na aldeia em partes, mas na realidade são canções de protesto muito duras”, disse Rafaela Carrasco. “Temos canções de 1931 adaptadas para hoje, com música, cenários e coreografias muito diferentes mas que transmitem a mesma música e letras que pertencem ao povo”, acrescenta.

20/10/11 – Compañia Antonio Gades – Bodas de Sangre e Suite Flamenca
(Teatro Bradesco em São Paulo –  19 e 20/10/11 – Compañia Antonio Gades – Carmen)

Principal nome da dança espanhola e do gênero flamenco em todo o mundo, Antonio Gades faleceu em 2004 deixando para o mundo uma herança de criatividade e beleza. Sua enorme paixão pela dança e pela música flamenca gerou uma obra de enorme repercussão, que durante anos deu frutos em espetáculos de dança aclamados em todo o mundo e chegou, em diferentes momentos, ao cinema, teatro e televisão. Disposto a não deixar essa obra desaparecer com a sua morte, e com o intuito de protegê-la para que continuasse a ser encenada com a qualidade artística pela qual sempre primou, Gades criou uma fundação para perpetuar sua obra e continuar a incentivar sua companhia. Antonio Gades – Uma Lenda da Dança Flamenca.

Antonio Gades se inseriu no mundo da dança através da Cia Pilar Lopez, aonde permaneceu por nove anos. Com ela, aprimorou-se em todas as danças folclóricas da Espanha. Também estudou balé clássico com a dançarina russa Provayenska. Mas seu meio de expressão mais autêntico sempre seria o flamenco. Foi diretor do Balé Nacional de Espanha entre 1978 e 1980, que deixou para fundar sua própria companhia. Em 1981, em colaboração com o diretor Carlos Saura, transforma Bodas de Sangre em filme. A colaboração seguiu em 1983, com o filme A história de Carmen. As adaptações cinematográficas renovaram o interesse dos espanhóis pela dança flamenca.

Sua última produção como coreógrafo foi Fuenteovejuna, adaptação da obra de Lope de Vega, que teve estréia na Ópera de Gênova, em 1994, e excursionou por Japão, Itália, França, Cuba e vários países latino americanos, inclusive o Brasil. Faleceu aos 67 anos de idade, vitimado pelo câncer.

Os ingressos para todos os dias estão sendo vendidos no site Dell´Arte: www.dellarte.com.br


NO RIO DE JANEIRO:

A Compañia Antonio Gades também fará apresentações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com o espetáculo “Carmen”. As apresentações serão nos dias 22 de outubro, às 21h e 23 de outubro, às 16h. Os ingressos também estão sendo vendidos no site Dell´Arte.

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